{"id":3101,"date":"2026-09-16T19:16:38","date_gmt":"2026-09-16T22:16:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ritacruz.pro.br\/?p=3101"},"modified":"2026-09-20T12:20:36","modified_gmt":"2026-09-20T15:20:36","slug":"3101","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritaamor.com.br\/?p=3101","title":{"rendered":"O \u00e1tomo: a unidade fundamental da mat\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p>Para compreender a Qu\u00edmica, precisamos come\u00e7ar por uma ideia fundamental: a mat\u00e9ria, embora possa parecer cont\u00ednua quando observada a olho nu, apresenta uma organiza\u00e7\u00e3o constitu\u00edda por part\u00edculas extremamente pequenas. Entre essas part\u00edculas est\u00e3o os \u00e1tomos, estruturas que formam os elementos qu\u00edmicos e participam da composi\u00e7\u00e3o de todas as subst\u00e2ncias que conhecemos. A \u00e1gua, o ar, os alimentos, os tecidos do corpo humano e os medicamentos s\u00e3o constitu\u00eddos por \u00e1tomos organizados e combinados de diferentes maneiras.<\/p>\n<p>O conceito de \u00e1tomo tem uma longa hist\u00f3ria. Na Gr\u00e9cia Antiga, fil\u00f3sofos como Leucipo e Dem\u00f3crito propuseram que a mat\u00e9ria seria formada por part\u00edculas muito pequenas e indivis\u00edveis, chamadas \u00e1tomos, palavra de origem grega que significa \u201cindivis\u00edvel\u201d. Essa proposta era filos\u00f3fica, e n\u00e3o resultado de experimentos cient\u00edficos nos moldes atuais. Ao longo do tempo, por\u00e9m, o desenvolvimento da Qu\u00edmica e da F\u00edsica permitiu compreender que os \u00e1tomos possuem uma estrutura interna e s\u00e3o formados por part\u00edculas ainda menores.<\/p>\n<p>O modelo at\u00f4mico moderno foi constru\u00eddo gradualmente por meio de diferentes investiga\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, John Dalton prop\u00f4s uma teoria segundo a qual os elementos qu\u00edmicos seriam constitu\u00eddos por \u00e1tomos e as subst\u00e2ncias compostas resultariam da combina\u00e7\u00e3o desses \u00e1tomos em propor\u00e7\u00f5es definidas. Posteriormente, descobertas relacionadas aos el\u00e9trons, ao n\u00facleo e \u00e0 estrutura interna do \u00e1tomo demonstraram que ele n\u00e3o era indivis\u00edvel. Os modelos at\u00f4micos foram sendo aperfei\u00e7oados conforme surgiam novas evid\u00eancias experimentais.<\/p>\n<p>Atualmente, compreendemos o \u00e1tomo como uma estrutura formada por um n\u00facleo central, que cont\u00e9m pr\u00f3tons e n\u00eautrons, e uma regi\u00e3o externa na qual se encontram os el\u00e9trons. O n\u00facleo concentra praticamente toda a massa do \u00e1tomo, enquanto os el\u00e9trons ocupam regi\u00f5es associadas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de probabilidades de sua localiza\u00e7\u00e3o. Essa descri\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada nos princ\u00edpios da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, que oferece um modelo mais preciso do comportamento das part\u00edculas subat\u00f4micas.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3tons possuem carga el\u00e9trica positiva, os el\u00e9trons apresentam carga negativa e os n\u00eautrons n\u00e3o possuem carga el\u00e9trica l\u00edquida. Em um \u00e1tomo eletricamente neutro, o n\u00famero de pr\u00f3tons \u00e9 igual ao n\u00famero de el\u00e9trons. Essa igualdade \u00e9 importante porque as cargas positivas e negativas se compensam. Quando um \u00e1tomo perde ou recebe el\u00e9trons, pode formar um \u00edon, uma esp\u00e9cie qu\u00edmica que apresenta carga el\u00e9trica. A perda de el\u00e9trons origina um c\u00e1tion, de carga positiva; o ganho de el\u00e9trons origina um \u00e2nion, de carga negativa.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pr\u00f3tons de um \u00e1tomo \u00e9 chamado de n\u00famero at\u00f4mico, representado pela letra Z. Essa caracter\u00edstica determina a identidade do elemento qu\u00edmico. Todos os \u00e1tomos que possuem um pr\u00f3ton s\u00e3o \u00e1tomos de hidrog\u00eanio; aqueles que possuem seis pr\u00f3tons s\u00e3o \u00e1tomos de carbono; os que possuem oito pr\u00f3tons s\u00e3o \u00e1tomos de oxig\u00eanio. Assim, o n\u00famero de pr\u00f3tons funciona como uma esp\u00e9cie de identidade qu\u00edmica do elemento. Se modificarmos o n\u00famero de pr\u00f3tons, n\u00e3o teremos apenas uma vers\u00e3o diferente do mesmo elemento: teremos outro elemento qu\u00edmico.<\/p>\n<p>O n\u00famero de massa, representado pela letra A, corresponde \u00e0 soma do n\u00famero de pr\u00f3tons e do n\u00famero de n\u00eautrons presentes no n\u00facleo:<\/p>\n<p>A = Z + N<\/p>\n<p>Nessa express\u00e3o, Z representa o n\u00famero de pr\u00f3tons e N, o n\u00famero de n\u00eautrons. Os el\u00e9trons n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos no c\u00e1lculo do n\u00famero de massa porque possuem massa muito menor que a dos pr\u00f3tons e n\u00eautrons. Em situa\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias, podemos considerar que a maior parte da massa de um \u00e1tomo est\u00e1 concentrada no n\u00facleo.<\/p>\n<p>Um mesmo elemento qu\u00edmico pode apresentar diferentes quantidades de n\u00eautrons. Essas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas de is\u00f3topos. Os is\u00f3topos possuem o mesmo n\u00famero de pr\u00f3tons, portanto pertencem ao mesmo elemento, mas apresentam n\u00fameros diferentes de n\u00eautrons e, consequentemente, diferentes n\u00fameros de massa. O carbono, por exemplo, possui sempre seis pr\u00f3tons, mas pode ser encontrado como carbono-12, carbono-13 e carbono-14. Esses is\u00f3topos apresentam comportamentos qu\u00edmicos semelhantes em muitos aspectos, embora possam diferir em suas propriedades nucleares.<\/p>\n<p>O carbono-14 \u00e9 particularmente conhecido por sua utiliza\u00e7\u00e3o em m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9trica. Ele \u00e9 um is\u00f3topo radioativo, ou seja, seu n\u00facleo \u00e9 inst\u00e1vel e pode sofrer transforma\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas. A radioatividade n\u00e3o deve ser confundida com uma caracter\u00edstica exclusiva de subst\u00e2ncias artificiais: existem is\u00f3topos radioativos naturais. O estudo da radioatividade tamb\u00e9m possui aplica\u00e7\u00f5es na Medicina, na pesquisa cient\u00edfica e em diferentes \u00e1reas tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Para a Nutri\u00e7\u00e3o, conhecer os \u00e1tomos \u00e9 importante porque os nutrientes e as subst\u00e2ncias presentes no organismo s\u00e3o constitu\u00eddos por combina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de elementos qu\u00edmicos. Os carboidratos, por exemplo, cont\u00eam principalmente carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio. As prote\u00ednas s\u00e3o formadas por amino\u00e1cidos que apresentam carbono, hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio e nitrog\u00eanio, podendo tamb\u00e9m conter enxofre. Os lip\u00eddios apresentam estruturas variadas, mas frequentemente s\u00e3o constitu\u00eddos principalmente por carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos elementos presentes nas mol\u00e9culas org\u00e2nicas, o organismo necessita de elementos minerais. O c\u00e1lcio participa da forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos ossos e dentes, al\u00e9m de atuar em processos como a contra\u00e7\u00e3o muscular e a sinaliza\u00e7\u00e3o celular. O ferro \u00e9 essencial para prote\u00ednas envolvidas no transporte de oxig\u00eanio, como a hemoglobina. O s\u00f3dio e o pot\u00e1ssio participam da manuten\u00e7\u00e3o dos gradientes eletroqu\u00edmicos das membranas celulares, fundamentais para a atividade nervosa e muscular. O magn\u00e9sio participa de diversas rea\u00e7\u00f5es enzim\u00e1ticas e intera\u00e7\u00f5es celulares.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que a fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de um elemento n\u00e3o depende apenas de sua presen\u00e7a, mas tamb\u00e9m de sua forma qu\u00edmica, quantidade, disponibilidade e intera\u00e7\u00e3o com outros componentes do organismo. O ferro, por exemplo, \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 vida, mas sua absor\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o dependem de diferentes fatores relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 fisiologia. Por isso, a Nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o estuda os minerais apenas como uma lista de elementos: investiga como eles s\u00e3o ingeridos, absorvidos, transportados, armazenados e utilizados pelo corpo.<\/p>\n<p>Os \u00e1tomos raramente existem isolados nas condi\u00e7\u00f5es comuns em que encontramos a mat\u00e9ria. Eles podem estabelecer liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e formar mol\u00e9culas ou estruturas maiores. Uma mol\u00e9cula de \u00e1gua, por exemplo, \u00e9 formada por dois \u00e1tomos de hidrog\u00eanio ligados a um \u00e1tomo de oxig\u00eanio. J\u00e1 uma mol\u00e9cula de glicose apresenta uma estrutura muito mais complexa, composta por \u00e1tomos de carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio organizados em uma disposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A maneira como esses \u00e1tomos se ligam influencia as propriedades e as fun\u00e7\u00f5es das mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para compreender a Bioqu\u00edmica. N\u00e3o basta saber que uma prote\u00edna cont\u00e9m carbono, hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio e nitrog\u00eanio. Precisamos entender como esses \u00e1tomos se organizam para formar amino\u00e1cidos, como os amino\u00e1cidos se ligam e como a estrutura resultante permite que a prote\u00edna exer\u00e7a determinada fun\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, n\u00e3o basta saber que a glicose \u00e9 um carboidrato: \u00e9 necess\u00e1rio compreender sua estrutura e como ela participa das rea\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas que fornecem energia \u00e0s c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>O estudo do \u00e1tomo nos conduz, portanto, a uma compreens\u00e3o progressiva da mat\u00e9ria. Come\u00e7amos pelas part\u00edculas subat\u00f4micas, avan\u00e7amos para os elementos qu\u00edmicos e, posteriormente, estudamos como os \u00e1tomos se combinam por meio de liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Essas combina\u00e7\u00f5es d\u00e3o origem \u00e0s mol\u00e9culas e \u00e0s subst\u00e2ncias que participam dos processos biol\u00f3gicos. A partir da\u00ed, poderemos investigar a estrutura dos nutrientes e as rea\u00e7\u00f5es que ocorrem durante a digest\u00e3o, a absor\u00e7\u00e3o e o metabolismo.<\/p>\n<p>Compreender o \u00e1tomo \u00e9 aprender a olhar para a mat\u00e9ria em uma escala que n\u00e3o podemos observar diretamente. Uma fruta, uma gota de sangue ou uma c\u00e9lula podem parecer unidades completas, mas sua constitui\u00e7\u00e3o envolve uma organiza\u00e7\u00e3o extraordinariamente complexa de \u00e1tomos e mol\u00e9culas. A vida, em sua dimens\u00e3o material, depende n\u00e3o apenas da exist\u00eancia desses componentes, mas tamb\u00e9m da maneira como eles se organizam e interagem.<\/p>\n<p><strong>S\u00edntese da aula<\/strong><\/p>\n<p>O \u00e1tomo \u00e9 uma estrutura constitu\u00edda por pr\u00f3tons, n\u00eautrons e el\u00e9trons. O n\u00famero de pr\u00f3tons determina o elemento qu\u00edmico e corresponde ao seu n\u00famero at\u00f4mico. Pr\u00f3tons e n\u00eautrons ficam no n\u00facleo, enquanto os el\u00e9trons ocupam a regi\u00e3o externa do \u00e1tomo. \u00c1tomos de um mesmo elemento podem apresentar diferentes n\u00fameros de n\u00eautrons, formando is\u00f3topos. A combina\u00e7\u00e3o entre \u00e1tomos origina mol\u00e9culas e outras estruturas qu\u00edmicas, que s\u00e3o fundamentais para a composi\u00e7\u00e3o dos alimentos e o funcionamento do organismo.<\/p>\n<p><strong>Conceitos essenciais<\/strong><br \/>\n\u00c1tomo: estrutura constituinte dos elementos qu\u00edmicos.<br \/>\nPr\u00f3ton: part\u00edcula subat\u00f4mica de carga positiva.<br \/>\nN\u00eautron: part\u00edcula subat\u00f4mica sem carga el\u00e9trica l\u00edquida.<br \/>\nEl\u00e9tron: part\u00edcula subat\u00f4mica de carga negativa.<br \/>\nN\u00famero at\u00f4mico (Z): n\u00famero de pr\u00f3tons do \u00e1tomo.<br \/>\nN\u00famero de massa (A): soma dos pr\u00f3tons e n\u00eautrons.<br \/>\nIs\u00f3topos: \u00e1tomos do mesmo elemento com diferentes n\u00fameros de n\u00eautrons.<br \/>\n\u00cdon: \u00e1tomo ou grupo de \u00e1tomos que apresenta carga el\u00e9trica.<\/li>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>ATKINS, Peter; JONES, Loretta; LAVERMAN, Leroy. Princ\u00edpios de qu\u00edmica: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018.<br \/>\nBROWN, Theodore L. et al. Qu\u00edmica: a ci\u00eancia central. 13. ed. S\u00e3o Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016.<br \/>\nCHANG, Raymond; GOLDSBY, Kenneth A. Qu\u00edmica. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.<br \/>\nNELSON, David L.; COX, Michael M. Princ\u00edpios de bioqu\u00edmica de Lehninger. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para compreender a Qu\u00edmica, precisamos come\u00e7ar por uma ideia fundamental: a mat\u00e9ria, embora possa parecer cont\u00ednua quando observada a olho nu, apresenta uma organiza\u00e7\u00e3o constitu\u00edda por part\u00edculas extremamente pequenas. Entre essas part\u00edculas est\u00e3o os \u00e1tomos, estruturas que formam os elementos qu\u00edmicos e participam da composi\u00e7\u00e3o de todas as subst\u00e2ncias que conhecemos. A \u00e1gua, o ar, os alimentos, os tecidos do corpo humano e os medicamentos s\u00e3o constitu\u00eddos por \u00e1tomos organizados e combinados de diferentes maneiras. O conceito de \u00e1tomo tem uma longa hist\u00f3ria. Na Gr\u00e9cia Antiga, fil\u00f3sofos como Leucipo e Dem\u00f3crito propuseram que a mat\u00e9ria seria formada por part\u00edculas muito pequenas e indivis\u00edveis, chamadas \u00e1tomos, palavra de origem grega que significa \u201cindivis\u00edvel\u201d. Essa proposta era filos\u00f3fica, e n\u00e3o resultado de experimentos cient\u00edficos nos moldes atuais. Ao longo do tempo, por\u00e9m, o desenvolvimento da Qu\u00edmica e da F\u00edsica permitiu compreender que os \u00e1tomos possuem uma estrutura interna e s\u00e3o formados por part\u00edculas ainda menores. O modelo at\u00f4mico moderno foi constru\u00eddo gradualmente por meio de diferentes investiga\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, John Dalton prop\u00f4s uma teoria segundo a qual os elementos qu\u00edmicos seriam constitu\u00eddos por \u00e1tomos e as subst\u00e2ncias compostas resultariam da combina\u00e7\u00e3o desses \u00e1tomos em propor\u00e7\u00f5es definidas. Posteriormente, descobertas relacionadas aos el\u00e9trons, ao n\u00facleo e \u00e0 estrutura interna do \u00e1tomo demonstraram que ele n\u00e3o era indivis\u00edvel. Os modelos at\u00f4micos foram sendo aperfei\u00e7oados conforme surgiam novas evid\u00eancias experimentais. Atualmente, compreendemos o \u00e1tomo como uma estrutura formada por um n\u00facleo central, que cont\u00e9m pr\u00f3tons e n\u00eautrons, e uma regi\u00e3o externa na qual se encontram os el\u00e9trons. O n\u00facleo concentra praticamente toda a massa do \u00e1tomo, enquanto os el\u00e9trons ocupam regi\u00f5es associadas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de probabilidades de sua localiza\u00e7\u00e3o. Essa descri\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada nos princ\u00edpios da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, que oferece um modelo mais preciso do comportamento das part\u00edculas subat\u00f4micas. Os pr\u00f3tons possuem carga el\u00e9trica positiva, os el\u00e9trons apresentam carga negativa e os n\u00eautrons n\u00e3o possuem carga el\u00e9trica l\u00edquida. Em um \u00e1tomo eletricamente neutro, o n\u00famero de pr\u00f3tons \u00e9 igual ao n\u00famero de el\u00e9trons. Essa igualdade \u00e9 importante porque as cargas positivas e negativas se compensam. Quando um \u00e1tomo perde ou recebe el\u00e9trons, pode formar um \u00edon, uma esp\u00e9cie qu\u00edmica que apresenta carga el\u00e9trica. A perda de el\u00e9trons origina um c\u00e1tion, de carga positiva; o ganho de el\u00e9trons origina um \u00e2nion, de carga negativa. O n\u00famero de pr\u00f3tons de um \u00e1tomo \u00e9 chamado de n\u00famero at\u00f4mico, representado pela letra Z. Essa caracter\u00edstica determina a identidade do elemento qu\u00edmico. Todos os \u00e1tomos que possuem um pr\u00f3ton s\u00e3o \u00e1tomos de hidrog\u00eanio; aqueles que possuem seis pr\u00f3tons s\u00e3o \u00e1tomos de carbono; os que possuem oito pr\u00f3tons s\u00e3o \u00e1tomos de oxig\u00eanio. Assim, o n\u00famero de pr\u00f3tons funciona como uma esp\u00e9cie de identidade qu\u00edmica do elemento. Se modificarmos o n\u00famero de pr\u00f3tons, n\u00e3o teremos apenas uma vers\u00e3o diferente do mesmo elemento: teremos outro elemento qu\u00edmico. O n\u00famero de massa, representado pela letra A, corresponde \u00e0 soma do n\u00famero de pr\u00f3tons e do n\u00famero de n\u00eautrons presentes no n\u00facleo: A = Z + N Nessa express\u00e3o, Z representa o n\u00famero de pr\u00f3tons e N, o n\u00famero de n\u00eautrons. Os el\u00e9trons n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos no c\u00e1lculo do n\u00famero de massa porque possuem massa muito menor que a dos pr\u00f3tons e n\u00eautrons. Em situa\u00e7\u00f5es introdut\u00f3rias, podemos considerar que a maior parte da massa de um \u00e1tomo est\u00e1 concentrada no n\u00facleo. Um mesmo elemento qu\u00edmico pode apresentar diferentes quantidades de n\u00eautrons. Essas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas de is\u00f3topos. Os is\u00f3topos possuem o mesmo n\u00famero de pr\u00f3tons, portanto pertencem ao mesmo elemento, mas apresentam n\u00fameros diferentes de n\u00eautrons e, consequentemente, diferentes n\u00fameros de massa. O carbono, por exemplo, possui sempre seis pr\u00f3tons, mas pode ser encontrado como carbono-12, carbono-13 e carbono-14. Esses is\u00f3topos apresentam comportamentos qu\u00edmicos semelhantes em muitos aspectos, embora possam diferir em suas propriedades nucleares. O carbono-14 \u00e9 particularmente conhecido por sua utiliza\u00e7\u00e3o em m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9trica. Ele \u00e9 um is\u00f3topo radioativo, ou seja, seu n\u00facleo \u00e9 inst\u00e1vel e pode sofrer transforma\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas. A radioatividade n\u00e3o deve ser confundida com uma caracter\u00edstica exclusiva de subst\u00e2ncias artificiais: existem is\u00f3topos radioativos naturais. O estudo da radioatividade tamb\u00e9m possui aplica\u00e7\u00f5es na Medicina, na pesquisa cient\u00edfica e em diferentes \u00e1reas tecnol\u00f3gicas. Para a Nutri\u00e7\u00e3o, conhecer os \u00e1tomos \u00e9 importante porque os nutrientes e as subst\u00e2ncias presentes no organismo s\u00e3o constitu\u00eddos por combina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de elementos qu\u00edmicos. Os carboidratos, por exemplo, cont\u00eam principalmente carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio. As prote\u00ednas s\u00e3o formadas por amino\u00e1cidos que apresentam carbono, hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio e nitrog\u00eanio, podendo tamb\u00e9m conter enxofre. Os lip\u00eddios apresentam estruturas variadas, mas frequentemente s\u00e3o constitu\u00eddos principalmente por carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio. Al\u00e9m dos elementos presentes nas mol\u00e9culas org\u00e2nicas, o organismo necessita de elementos minerais. O c\u00e1lcio participa da forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos ossos e dentes, al\u00e9m de atuar em processos como a contra\u00e7\u00e3o muscular e a sinaliza\u00e7\u00e3o celular. O ferro \u00e9 essencial para prote\u00ednas envolvidas no transporte de oxig\u00eanio, como a hemoglobina. O s\u00f3dio e o pot\u00e1ssio participam da manuten\u00e7\u00e3o dos gradientes eletroqu\u00edmicos das membranas celulares, fundamentais para a atividade nervosa e muscular. O magn\u00e9sio participa de diversas rea\u00e7\u00f5es enzim\u00e1ticas e intera\u00e7\u00f5es celulares. \u00c9 importante observar que a fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de um elemento n\u00e3o depende apenas de sua presen\u00e7a, mas tamb\u00e9m de sua forma qu\u00edmica, quantidade, disponibilidade e intera\u00e7\u00e3o com outros componentes do organismo. O ferro, por exemplo, \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 vida, mas sua absor\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o dependem de diferentes fatores relacionados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 fisiologia. Por isso, a Nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o estuda os minerais apenas como uma lista de elementos: investiga como eles s\u00e3o ingeridos, absorvidos, transportados, armazenados e utilizados pelo corpo. Os \u00e1tomos raramente existem isolados nas condi\u00e7\u00f5es comuns em que encontramos a mat\u00e9ria. Eles podem estabelecer liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e formar mol\u00e9culas ou estruturas maiores. Uma mol\u00e9cula de \u00e1gua, por exemplo, \u00e9 formada por dois \u00e1tomos de hidrog\u00eanio ligados a um \u00e1tomo de oxig\u00eanio. J\u00e1 uma mol\u00e9cula de glicose apresenta uma estrutura muito mais complexa, composta por \u00e1tomos de carbono, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio organizados em uma disposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A maneira como esses \u00e1tomos se ligam influencia as propriedades e as fun\u00e7\u00f5es das mol\u00e9culas. Essa organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para compreender a Bioqu\u00edmica. N\u00e3o basta saber que uma prote\u00edna cont\u00e9m carbono, hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio e nitrog\u00eanio. Precisamos entender como esses \u00e1tomos se organizam para formar amino\u00e1cidos, como os amino\u00e1cidos se ligam e como a estrutura resultante permite que a prote\u00edna exer\u00e7a determinada fun\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, n\u00e3o basta saber que a glicose \u00e9 um carboidrato: \u00e9 necess\u00e1rio compreender sua estrutura e como ela participa das rea\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas que fornecem energia \u00e0s c\u00e9lulas. O estudo do \u00e1tomo nos conduz, portanto, a uma compreens\u00e3o progressiva da mat\u00e9ria. Come\u00e7amos pelas part\u00edculas subat\u00f4micas, avan\u00e7amos para os elementos qu\u00edmicos e, posteriormente, estudamos como os \u00e1tomos se combinam por meio de liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Essas combina\u00e7\u00f5es d\u00e3o origem \u00e0s mol\u00e9culas e \u00e0s subst\u00e2ncias que participam dos processos biol\u00f3gicos. A partir da\u00ed, poderemos investigar a estrutura dos nutrientes e as rea\u00e7\u00f5es que ocorrem durante a digest\u00e3o, a absor\u00e7\u00e3o e o metabolismo. Compreender o \u00e1tomo \u00e9 aprender a olhar para a mat\u00e9ria em uma escala que n\u00e3o podemos observar diretamente. Uma fruta, uma gota de sangue ou uma c\u00e9lula podem parecer unidades completas, mas sua constitui\u00e7\u00e3o envolve uma organiza\u00e7\u00e3o extraordinariamente complexa de \u00e1tomos e mol\u00e9culas. A vida, em sua dimens\u00e3o material, depende n\u00e3o apenas da exist\u00eancia desses componentes, mas tamb\u00e9m da maneira como eles se organizam e interagem. S\u00edntese da aula O \u00e1tomo \u00e9 uma estrutura constitu\u00edda por pr\u00f3tons, n\u00eautrons e el\u00e9trons. O n\u00famero de pr\u00f3tons determina o elemento qu\u00edmico e corresponde ao seu n\u00famero at\u00f4mico. Pr\u00f3tons e n\u00eautrons ficam no n\u00facleo, enquanto os el\u00e9trons ocupam a regi\u00e3o externa do \u00e1tomo. \u00c1tomos de um mesmo elemento podem apresentar diferentes n\u00fameros de n\u00eautrons, formando is\u00f3topos. A combina\u00e7\u00e3o entre \u00e1tomos origina mol\u00e9culas e outras estruturas qu\u00edmicas, que s\u00e3o fundamentais para a composi\u00e7\u00e3o dos alimentos e o funcionamento do organismo. Conceitos essenciais \u00c1tomo: estrutura constituinte dos elementos qu\u00edmicos. Pr\u00f3ton: part\u00edcula subat\u00f4mica de carga positiva. N\u00eautron: part\u00edcula subat\u00f4mica sem carga el\u00e9trica l\u00edquida. El\u00e9tron: part\u00edcula subat\u00f4mica de carga negativa. N\u00famero at\u00f4mico (Z): n\u00famero de pr\u00f3tons do \u00e1tomo. N\u00famero de massa (A): soma dos pr\u00f3tons e n\u00eautrons. Is\u00f3topos: \u00e1tomos do mesmo elemento com diferentes n\u00fameros de n\u00eautrons. \u00cdon: \u00e1tomo ou grupo de \u00e1tomos que apresenta carga el\u00e9trica. Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas ATKINS, Peter; JONES, Loretta; LAVERMAN, Leroy. Princ\u00edpios de qu\u00edmica: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018. BROWN, Theodore L. et al. Qu\u00edmica: a ci\u00eancia central. 13. ed. S\u00e3o Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016. CHANG, Raymond; GOLDSBY, Kenneth A. Qu\u00edmica. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. NELSON, David L.; COX, Michael M. Princ\u00edpios de bioqu\u00edmica de Lehninger. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[369],"tags":[],"class_list":["post-3101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nutricao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3101"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3107,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3101\/revisions\/3107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ritaamor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}