{"id":3202,"date":"2026-10-12T12:30:07","date_gmt":"2026-10-12T15:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ritaamor.com.br\/?p=3202"},"modified":"2026-10-12T12:30:07","modified_gmt":"2026-10-12T15:30:07","slug":"a-beleza-de-cultivar-o-mesmo-sonho-durante-uma-vida-inteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ritaamor.com.br\/?p=3202","title":{"rendered":"A beleza de cultivar o mesmo sonho durante uma vida inteira"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 sonhos que chegam de repente, iluminam uma determinada fase da vida e depois desaparecem, substitu\u00eddos por outros desejos, outras necessidades, outras maneiras de compreender o mundo. Mas existem tamb\u00e9m aqueles que permanecem. Atravessam os anos, sobrevivem \u00e0s mudan\u00e7as de profiss\u00e3o, \u00e0s responsabilidades familiares, aos desencontros amorosos, \u00e0s perdas e \u00e0s in\u00fameras vers\u00f5es que nos tornamos de n\u00f3s mesmos. \u00c0s vezes ficam silenciosos durante muito tempo, quase esquecidos sob as exig\u00eancias da vida cotidiana, mas basta um pequeno acontecimento para que voltem a respirar. O desejo de escrever pode ser assim. Podemos passar anos trabalhando, estudando, cuidando de outras pessoas, tentando resolver os problemas concretos da exist\u00eancia e, ainda assim, continuar carregando dentro de n\u00f3s a vontade de transformar experi\u00eancias em palavras. Talvez haja algo profundamente comovente em perceber que, apesar de tantas mudan\u00e7as, determinada parte de n\u00f3s permaneceu fiel \u00e0quilo que um dia imaginou ser poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Cultivar um sonho durante muitos anos n\u00e3o significa permanecer im\u00f3vel diante dele. Ao contr\u00e1rio, talvez seja uma das formas mais discretas e profundas de transforma\u00e7\u00e3o. A pessoa que deseja escrever aos vinte anos n\u00e3o possui o mesmo olhar daquela que continua desejando escrever aos cinquenta ou aos setenta. Entre uma idade e outra, a vida acrescenta experi\u00eancias que nenhum curso poderia oferecer inteiramente: aprendemos alguma coisa sobre o amor depois de perder algu\u00e9m, sobre o tempo depois de perceber sua passagem, sobre a solid\u00e3o depois de atravessar determinados sil\u00eancios, sobre a condi\u00e7\u00e3o humana depois de testemunhar nossas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. Aquilo que antes era apenas imagina\u00e7\u00e3o come\u00e7a a encontrar a densidade da experi\u00eancia. A escrita amadurece porque tamb\u00e9m amadurece a pessoa que escreve. Talvez por isso um sonho antigo n\u00e3o seja necessariamente um sonho atrasado. Pode ser um sonho que passou muitos anos reunindo, silenciosamente, a mat\u00e9ria de que precisava para come\u00e7ar a existir.<\/p>\n<p>H\u00e1, entretanto, uma diferen\u00e7a importante entre conservar um sonho e simplesmente adi\u00e1-lo. Podemos amar profundamente a ideia de escrever e, ainda assim, passar d\u00e9cadas esperando o momento ideal: quando tivermos mais tempo, quando o trabalho estiver menos exigente, quando a casa estiver organizada, quando dominarmos melhor a linguagem, quando finalmente nos sentirmos preparados. Mas talvez ningu\u00e9m se torne escritor apenas por desejar escrever. A escrita exige tamb\u00e9m o encontro concreto com a p\u00e1gina, a disposi\u00e7\u00e3o de produzir frases imperfeitas, de reescrever, de abandonar trechos, de enfrentar a dist\u00e2ncia entre aquilo que imaginamos e aquilo que conseguimos realizar. Albert Bandura mostrou a import\u00e2ncia das experi\u00eancias de dom\u00ednio na constru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a em nossas pr\u00f3prias capacidades, enquanto pesquisas sobre forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos ajudam a compreender como a repeti\u00e7\u00e3o de comportamentos em contextos relativamente est\u00e1veis favorece sua continuidade. Talvez a fidelidade a um sonho precise assumir uma forma cotidiana: n\u00e3o apenas continuar querendo escrever, mas construir uma vida na qual escrever tenha um lugar real.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o existencial nessa perman\u00eancia. Viktor Frankl compreendia a busca de sentido como uma for\u00e7a importante da experi\u00eancia humana, embora esse sentido n\u00e3o se apresente da mesma maneira para todas as pessoas. Para algumas, ele se manifesta no cuidado com os filhos; para outras, na pesquisa, na arte, na educa\u00e7\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade ou na dedica\u00e7\u00e3o a determinada causa. Escrever pode representar uma dessas formas de atribuir sentido \u00e0 exist\u00eancia. N\u00e3o necessariamente porque desejamos reconhecimento, publica\u00e7\u00e3o ou perman\u00eancia depois da morte, mas porque sentimos que h\u00e1 alguma coisa em nossa maneira de perceber o mundo que precisa encontrar linguagem. A escrita permite aproximar experi\u00eancias que pareciam dispersas, examinar aquilo que sentimos, interrogar nossas certezas e oferecer a outras pessoas a possibilidade de reconhecer algo de si nas palavras de algu\u00e9m. Talvez um livro seja, antes de tudo, uma tentativa de transformar uma experi\u00eancia individual em uma forma de encontro.<\/p>\n<p>Mas cultivar o mesmo sonho durante d\u00e9cadas tamb\u00e9m exige aprender a conviver com a passagem do tempo sem transformar cada ano em uma acusa\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel olhar para tr\u00e1s e lamentar os livros que ainda n\u00e3o escrevemos, os projetos que abandonamos, as horas que dedicamos a coisas que hoje parecem menos importantes. Podemos imaginar a escritora que ter\u00edamos nos tornado se tiv\u00e9ssemos come\u00e7ado antes. Entretanto, essa compara\u00e7\u00e3o ignora que a pessoa que somos agora n\u00e3o existia naquele tempo. Talvez nos faltassem recursos, seguran\u00e7a, experi\u00eancia, maturidade ou simplesmente condi\u00e7\u00f5es concretas para dedicar \u00e0 escrita o espa\u00e7o que desej\u00e1vamos. Isso n\u00e3o significa negar nossa responsabilidade pelas escolhas feitas, mas reconhecer que uma trajet\u00f3ria humana n\u00e3o pode ser julgada apenas pelo calend\u00e1rio. A vida criativa raramente obedece a uma linha reta. H\u00e1 per\u00edodos de produ\u00e7\u00e3o intensa e per\u00edodos de sil\u00eancio; anos em que escrevemos p\u00e1ginas e anos em que, sem perceber, estamos aprendendo a enxergar aquilo que um dia escreveremos. O importante \u00e9 n\u00e3o transformar essa compreens\u00e3o em mais um motivo para adiar, mas em uma oportunidade de recome\u00e7ar sem desprezar o caminho percorrido.<\/p>\n<p>Talvez exista uma beleza muito particular em envelhecer ao lado de um sonho que continua vivo. Imaginar que, aos sessenta, setenta ou oitenta anos, ainda poderemos nos sentar diante de uma p\u00e1gina e encontrar alguma coisa que mere\u00e7a ser dita. Que a passagem do tempo n\u00e3o precisa representar apenas diminui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m aprofundamento; que nossas experi\u00eancias podem continuar se transformando em hist\u00f3rias; que ainda haver\u00e1 personagens esperando por n\u00f3s, perguntas que n\u00e3o conseguimos responder e palavras capazes de revelar aspectos desconhecidos de nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Nem todos os sonhos precisam ser realizados rapidamente para terem valor, mas aqueles que verdadeiramente importam merecem mais do que nossa esperan\u00e7a: merecem nossa presen\u00e7a. Talvez escrever durante uma vida inteira seja, em alguma medida, estabelecer um compromisso amoroso com a pessoa que continuaremos nos tornando. E talvez uma das experi\u00eancias mais bonitas da velhice seja olhar para tr\u00e1s e perceber que, entre tantas coisas que mudaram, houve alguma coisa que nunca abandonamos completamente. N\u00e3o porque tenhamos permanecido iguais, mas porque permitimos que um mesmo sonho crescesse, envelhecesse e se transformasse conosco \u2014 at\u00e9 que a pr\u00f3pria vida, lentamente, come\u00e7asse a encontrar sua forma nas palavras.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BANDURA, Albert. <em>Self-efficacy: the exercise of control<\/em>. New York: W. H. Freeman, 1997.<br \/>\nFRANKL, Viktor E.<em> Em busca de sentido: um psic\u00f3logo no campo de concentra\u00e7\u00e3o<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2008.<br \/>\nROGERS, Carl R. <em>Tornar-se pessoa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2009.<br \/>\nWOOD, Wendy; R\u00dcNGER, Dennis. <em>Psychology of habit<\/em>. Annual Review of Psychology, v. 67, p. 289\u2013314, 2016.<br \/>\nWOOLF, Virginia. <em>Um teto todo seu<\/em>. S\u00e3o Paulo: Tordesilhas, 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 sonhos que chegam de repente, iluminam uma determinada fase da vida e depois desaparecem, substitu\u00eddos por outros desejos, outras necessidades, outras maneiras de compreender o mundo. Mas existem tamb\u00e9m aqueles que permanecem. Atravessam os anos, sobrevivem \u00e0s mudan\u00e7as de profiss\u00e3o, \u00e0s responsabilidades familiares, aos desencontros amorosos, \u00e0s perdas e \u00e0s in\u00fameras vers\u00f5es que nos tornamos de n\u00f3s mesmos. \u00c0s vezes ficam silenciosos durante muito tempo, quase esquecidos sob as exig\u00eancias da vida cotidiana, mas basta um pequeno acontecimento para que voltem a respirar. O desejo de escrever pode ser assim. Podemos passar anos trabalhando, estudando, cuidando de outras pessoas, tentando resolver os problemas concretos da exist\u00eancia e, ainda assim, continuar carregando dentro de n\u00f3s a vontade de transformar experi\u00eancias em palavras. Talvez haja algo profundamente comovente em perceber que, apesar de tantas mudan\u00e7as, determinada parte de n\u00f3s permaneceu fiel \u00e0quilo que um dia imaginou ser poss\u00edvel. Cultivar um sonho durante muitos anos n\u00e3o significa permanecer im\u00f3vel diante dele. Ao contr\u00e1rio, talvez seja uma das formas mais discretas e profundas de transforma\u00e7\u00e3o. A pessoa que deseja escrever aos vinte anos n\u00e3o possui o mesmo olhar daquela que continua desejando escrever aos cinquenta ou aos setenta. Entre uma idade e outra, a vida acrescenta experi\u00eancias que nenhum curso poderia oferecer inteiramente: aprendemos alguma coisa sobre o amor depois de perder algu\u00e9m, sobre o tempo depois de perceber sua passagem, sobre a solid\u00e3o depois de atravessar determinados sil\u00eancios, sobre a condi\u00e7\u00e3o humana depois de testemunhar nossas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. Aquilo que antes era apenas imagina\u00e7\u00e3o come\u00e7a a encontrar a densidade da experi\u00eancia. A escrita amadurece porque tamb\u00e9m amadurece a pessoa que escreve. Talvez por isso um sonho antigo n\u00e3o seja necessariamente um sonho atrasado. Pode ser um sonho que passou muitos anos reunindo, silenciosamente, a mat\u00e9ria de que precisava para come\u00e7ar a existir. H\u00e1, entretanto, uma diferen\u00e7a importante entre conservar um sonho e simplesmente adi\u00e1-lo. Podemos amar profundamente a ideia de escrever e, ainda assim, passar d\u00e9cadas esperando o momento ideal: quando tivermos mais tempo, quando o trabalho estiver menos exigente, quando a casa estiver organizada, quando dominarmos melhor a linguagem, quando finalmente nos sentirmos preparados. Mas talvez ningu\u00e9m se torne escritor apenas por desejar escrever. A escrita exige tamb\u00e9m o encontro concreto com a p\u00e1gina, a disposi\u00e7\u00e3o de produzir frases imperfeitas, de reescrever, de abandonar trechos, de enfrentar a dist\u00e2ncia entre aquilo que imaginamos e aquilo que conseguimos realizar. Albert Bandura mostrou a import\u00e2ncia das experi\u00eancias de dom\u00ednio na constru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a em nossas pr\u00f3prias capacidades, enquanto pesquisas sobre forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos ajudam a compreender como a repeti\u00e7\u00e3o de comportamentos em contextos relativamente est\u00e1veis favorece sua continuidade. Talvez a fidelidade a um sonho precise assumir uma forma cotidiana: n\u00e3o apenas continuar querendo escrever, mas construir uma vida na qual escrever tenha um lugar real. Existe tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o existencial nessa perman\u00eancia. Viktor Frankl compreendia a busca de sentido como uma for\u00e7a importante da experi\u00eancia humana, embora esse sentido n\u00e3o se apresente da mesma maneira para todas as pessoas. Para algumas, ele se manifesta no cuidado com os filhos; para outras, na pesquisa, na arte, na educa\u00e7\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade ou na dedica\u00e7\u00e3o a determinada causa. Escrever pode representar uma dessas formas de atribuir sentido \u00e0 exist\u00eancia. N\u00e3o necessariamente porque desejamos reconhecimento, publica\u00e7\u00e3o ou perman\u00eancia depois da morte, mas porque sentimos que h\u00e1 alguma coisa em nossa maneira de perceber o mundo que precisa encontrar linguagem. A escrita permite aproximar experi\u00eancias que pareciam dispersas, examinar aquilo que sentimos, interrogar nossas certezas e oferecer a outras pessoas a possibilidade de reconhecer algo de si nas palavras de algu\u00e9m. Talvez um livro seja, antes de tudo, uma tentativa de transformar uma experi\u00eancia individual em uma forma de encontro. Mas cultivar o mesmo sonho durante d\u00e9cadas tamb\u00e9m exige aprender a conviver com a passagem do tempo sem transformar cada ano em uma acusa\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel olhar para tr\u00e1s e lamentar os livros que ainda n\u00e3o escrevemos, os projetos que abandonamos, as horas que dedicamos a coisas que hoje parecem menos importantes. Podemos imaginar a escritora que ter\u00edamos nos tornado se tiv\u00e9ssemos come\u00e7ado antes. Entretanto, essa compara\u00e7\u00e3o ignora que a pessoa que somos agora n\u00e3o existia naquele tempo. Talvez nos faltassem recursos, seguran\u00e7a, experi\u00eancia, maturidade ou simplesmente condi\u00e7\u00f5es concretas para dedicar \u00e0 escrita o espa\u00e7o que desej\u00e1vamos. Isso n\u00e3o significa negar nossa responsabilidade pelas escolhas feitas, mas reconhecer que uma trajet\u00f3ria humana n\u00e3o pode ser julgada apenas pelo calend\u00e1rio. A vida criativa raramente obedece a uma linha reta. H\u00e1 per\u00edodos de produ\u00e7\u00e3o intensa e per\u00edodos de sil\u00eancio; anos em que escrevemos p\u00e1ginas e anos em que, sem perceber, estamos aprendendo a enxergar aquilo que um dia escreveremos. O importante \u00e9 n\u00e3o transformar essa compreens\u00e3o em mais um motivo para adiar, mas em uma oportunidade de recome\u00e7ar sem desprezar o caminho percorrido. Talvez exista uma beleza muito particular em envelhecer ao lado de um sonho que continua vivo. Imaginar que, aos sessenta, setenta ou oitenta anos, ainda poderemos nos sentar diante de uma p\u00e1gina e encontrar alguma coisa que mere\u00e7a ser dita. Que a passagem do tempo n\u00e3o precisa representar apenas diminui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m aprofundamento; que nossas experi\u00eancias podem continuar se transformando em hist\u00f3rias; que ainda haver\u00e1 personagens esperando por n\u00f3s, perguntas que n\u00e3o conseguimos responder e palavras capazes de revelar aspectos desconhecidos de nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Nem todos os sonhos precisam ser realizados rapidamente para terem valor, mas aqueles que verdadeiramente importam merecem mais do que nossa esperan\u00e7a: merecem nossa presen\u00e7a. Talvez escrever durante uma vida inteira seja, em alguma medida, estabelecer um compromisso amoroso com a pessoa que continuaremos nos tornando. E talvez uma das experi\u00eancias mais bonitas da velhice seja olhar para tr\u00e1s e perceber que, entre tantas coisas que mudaram, houve alguma coisa que nunca abandonamos completamente. N\u00e3o porque tenhamos permanecido iguais, mas porque permitimos que um mesmo sonho crescesse, envelhecesse e se transformasse conosco \u2014 at\u00e9 que a pr\u00f3pria vida, lentamente, come\u00e7asse a encontrar sua forma nas palavras. Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas BANDURA, Albert. Self-efficacy: the exercise of control. New York: W. H. Freeman, 1997. FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psic\u00f3logo no campo de concentra\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2008. ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2009. WOOD, Wendy; R\u00dcNGER, Dennis. Psychology of habit. Annual Review of Psychology, v. 67, p. 289\u2013314, 2016. WOOLF, Virginia. Um teto todo seu. 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