É difícil quando descobrimos que a intensidade de um sentimento não garante a possibilidade de uma história compartilhada. Podemos conhecer alguém durante poucas semanas e conservar sua presença dentro de nós por muitos anos. Às vezes, a lembrança de determinados encontros adquire uma importância desproporcional ao tempo que efetivamente passamos…
-
-
Para abandonar o sedentarismo
Não acontece necessariamente de maneira repentina. Primeiro, deixamos de caminhar porque estamos cansados; depois, adiamos os exercícios porque temos muitas responsabilidades; em seguida, descobrimos que os dias passaram a ser organizados quase inteiramente entre cadeiras, camas, automóveis e telas. O movimento, que durante a infância parecia uma expressão espontânea da…
-
Preservar a própria dignidade diante da hostilidade
Pode ser uma das experiências mais difíceis na vida profissional perceber que uma pessoa com quem compartilhamos o ambiente de trabalho está agindo de maneira a nos prejudicar. Afinal, o trabalho ocupa uma parte significativa de nossa existência, não apenas porque dele retiramos os recursos necessários à sobrevivência, mas porque…
-
A beleza de permanecer fiel àquilo que dá sentido à nossa vida
Como continuar acreditando naquilo que dá sentido à nossa existência, mesmo quando a vida parece oferecer inúmeras razões para desistir? Há uma beleza silenciosa nas pessoas que atravessam dificuldades sem abandonar inteiramente aquilo que reconhecem como essencial. Não porque sejam imunes ao sofrimento, ao medo ou ao desencanto, mas porque…
-
Por delicadeza, ganhei minha vida
Há uma frase de Arthur Rimbaud que me acompanha de maneira particularmente profunda: “Par délicatesse, j’ai perdu ma vie” ou “Por delicadeza, perdi minha vida”. Há nessa afirmação uma beleza melancólica, como se a delicadeza pudesse representar uma forma de desencontro com o mundo, uma sensibilidade tão intensa que acabasse…
-
Há amores que florescem na distância
Talvez uma das formas mais delicadas de amar alguém seja descobrir que um sentimento não precisa necessariamente transformar-se em uma relação para possuir significado. Estamos habituados a compreender o amor como uma experiência que procura aproximação, reciprocidade, convivência e permanência. Quando amamos, imaginamos encontros, conversas, gestos de carinho e a…
-
A sabedoria de não responder a todas as provocações
Provavelmente, uma das formas mais difíceis de maturidade seja compreender que nem toda provocação merece uma resposta e que nem toda ofensa precisa transformar-se em confronto. Existe em nós um desejo profundamente humano de sermos compreendidos, respeitados e reconhecidos. Quando alguém nos dirige uma palavra injusta, distorce nossas intenções ou…
-
A angústia de ser livre: uma reflexão sobre Kierkegaard
Talvez uma das descobertas mais inquietantes da existência humana seja perceber que a liberdade, tão frequentemente desejada, também pode ser uma fonte profunda de sofrimento. Queremos escolher nossos caminhos, construir uma vida própria, realizar nossos desejos e escapar das determinações que parecem limitar nossas possibilidades. Entretanto, quando nos encontramos diante…
-
A beleza de cultivar o mesmo sonho durante uma vida inteira
Há sonhos que chegam de repente, iluminam uma determinada fase da vida e depois desaparecem, substituídos por outros desejos, outras necessidades, outras maneiras de compreender o mundo. Mas existem também aqueles que permanecem. Atravessam os anos, sobrevivem às mudanças de profissão, às responsabilidades familiares, aos desencontros amorosos, às perdas e…
-
A ansiedade de viver um futuro que ainda não chegou
Talvez uma das experiências mais difíceis da existência humana seja nossa capacidade de sofrer por aquilo que ainda não aconteceu. Podemos estar sentados em um lugar tranquilo, cercados de silêncio, sem nenhum perigo imediato, e ainda assim sentir o coração acelerado diante de uma possibilidade distante. Imaginamos conversas que não…
-
A sociedade que nos ensina a viver cansados
Talvez uma das características mais inquietantes da sociedade contemporânea seja a maneira como aprendemos a confundir liberdade com obrigação de produzir. Vivemos cercados de possibilidades, ferramentas, informações e promessas de realização pessoal, mas raramente experimentamos a sensação de que aquilo que fazemos é suficiente. Precisamos trabalhar, estudar, melhorar o corpo,…
-
Aquilo que uma sociedade aprende a aceitar
Talvez uma sociedade revele muito sobre seus valores não apenas naquilo que condena, mas principalmente naquilo diante do qual consegue seguir vivendo normalmente. Uma criança com fome deveria interromper alguma coisa dentro de nós. Uma pessoa dormindo na rua deveria continuar sendo um acontecimento, e não apenas parte da paisagem…
-
Quando percebemos que não queremos passar a vida inteira assim
Há momentos em que o trabalho começa a pesar de uma maneira diferente. Não é apenas o cansaço de uma semana difícil, a irritação com uma tarefa desagradável ou aquela vontade comum de que o fim de semana chegue logo. É uma sensação mais persistente, quase uma pergunta que começa…
-
As promessas que fazemos a nós mesmos
Há uma responsabilidade que exercemos com surpreendente facilidade quando outras pessoas estão envolvidas. Acordamos cedo porque prometemos chegar a determinado horário, atravessamos a cidade para cumprir um compromisso, terminamos um trabalho mesmo cansados, respondemos mensagens, comparecemos, entregamos. A presença do outro parece conferir realidade às nossas promessas. Mas basta que…
-
Amar alguém que não é nosso
Amar profundamente alguém é conviver com uma verdade ao mesmo tempo simples e desconfortável: por mais íntimos que nos tornemos, a pessoa amada continuará sendo outra pessoa. Podemos conhecer seus hábitos, reconhecer seus passos antes mesmo que entre no quarto, saber quando alguma coisa a preocupa pelo modo como permanece…
-
A intimidade também começa nas conversas difíceis
Relacionamentos não são feitos apenas daquilo que gostaríamos de guardar em fotografias. Existem os encontros felizes, as viagens, os abraços demorados, as conversas que atravessam a madrugada e os dias em que amar parece uma experiência quase espontânea. Mas existe também outra parte, menos bonita e talvez igualmente importante: o…
-
Há pessoas que não ficam, mas nos despertam
Nem toda paixão foi feita para transformar-se em história de amor. Algumas chegam sem a duração necessária para construir uma vida, mas com intensidade suficiente para modificar alguma coisa dentro de nós. Encontramos alguém e, de repente, aquilo que parecia adormecido começa novamente a se mover. Esperamos uma mensagem. Escolhemos…
-
Quando o cansaço abre a geladeira
Há um tipo de fome que parece esperar justamente o momento em que chegamos em casa. Passamos o dia trabalhando, resolvendo problemas, cumprindo horários, tomando decisões, atravessando trânsito, conversas e responsabilidades. Durante horas, conseguimos adiar necessidades e funcionar quase automaticamente. Então fechamos a porta de casa e alguma coisa relaxa.…
-
A pessoa que amamos e aquela que inventamos
Apaixonar-se talvez seja uma das experiências em que realidade e imaginação mais profundamente se confundem. Encontramos alguém, ouvimos sua voz, observamos seus gestos, descobrimos algumas histórias, e quase sem perceber começamos a preencher aquilo que ainda não sabemos. Um silêncio pode parecer profundidade; uma delicadeza pode tornar-se promessa de uma…
-
A comida não deveria ser um tribunal
Comer é uma das experiências mais antigas da nossa existência. Antes de sabermos falar, já conhecíamos a fome, a saciedade, o sabor e o conforto de sermos alimentados. Mais tarde, a comida ganhou outros significados: tornou-se memória, cultura, encontro, celebração, cuidado e também prazer. Ainda assim, em algum momento, muitas…