Há uma frase de Arthur Rimbaud que me acompanha de maneira particularmente profunda: “Par délicatesse, j’ai perdu ma vie” ou “Por delicadeza, perdi minha vida”. Há nessa afirmação uma beleza melancólica, como se a delicadeza pudesse representar uma forma de desencontro com o mundo, uma sensibilidade tão intensa que acabasse…
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Há amores que florescem na distância
Talvez uma das formas mais delicadas de amar alguém seja descobrir que um sentimento não precisa necessariamente transformar-se em uma relação para possuir significado. Estamos habituados a compreender o amor como uma experiência que procura aproximação, reciprocidade, convivência e permanência. Quando amamos, imaginamos encontros, conversas, gestos de carinho e a…
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Amar alguém que não é nosso
Amar profundamente alguém é conviver com uma verdade ao mesmo tempo simples e desconfortável: por mais íntimos que nos tornemos, a pessoa amada continuará sendo outra pessoa. Podemos conhecer seus hábitos, reconhecer seus passos antes mesmo que entre no quarto, saber quando alguma coisa a preocupa pelo modo como permanece…
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A pessoa que amamos e aquela que inventamos
Apaixonar-se talvez seja uma das experiências em que realidade e imaginação mais profundamente se confundem. Encontramos alguém, ouvimos sua voz, observamos seus gestos, descobrimos algumas histórias, e quase sem perceber começamos a preencher aquilo que ainda não sabemos. Um silêncio pode parecer profundidade; uma delicadeza pode tornar-se promessa de uma…
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O desejo precisa de alguma distância
Desejar alguém é reconhecer, ainda que silenciosamente, que existe uma distância que nenhum amor consegue abolir completamente. Podemos conhecer os gestos de uma pessoa, aprender seus silêncios, reconhecer a maneira como ela sorri quando está feliz e perceber quando alguma tristeza começa a se aproximar, mas haverá sempre uma região…
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Quando a beleza deixa de caber na juventude
Desde muito cedo, aprendemos que existe uma idade em que somos considerados belos e outra em que começamos, supostamente, a perder essa condição. A cultura ocidental contemporânea apresenta a juventude não apenas como uma etapa da vida, mas como um ideal estético associado à vitalidade, ao desejo, à produtividade e…
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O amor possível dentro da imperfeição
Não existe amor perfeito porque não existem pessoas perfeitas. Existe, antes, a possibilidade de um encontro entre duas pessoas que chegam uma à outra trazendo consigo tudo aquilo que viveram antes de se conhecer. Cada uma carrega uma infância, antigas alegrias, perdas, medos, desejos, relações anteriores, maneiras particulares de se…
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Amar sem desaparecer
Amar alguém não deveria significar desaparecer dentro da vida do outro. Existe uma ideia romântica, antiga e persistente, segundo a qual amar profundamente seria entregar-se por inteiro: compartilhar tudo, querer estar sempre junto, abandonar antigas prioridades, adaptar-se aos desejos do outro e, pouco a pouco, fazer da relação o centro…
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Amar o outro para além da fantasia
No começo de um relacionamento, nem sempre amamos apenas a pessoa que está diante de nós. Amamos também aquilo que imaginamos que ela seja. Há, no início, uma espécie de criação silenciosa: preenchemos lacunas com expectativas, atribuímos significados a gestos, projetamos desejos, reconhecemos no outro possibilidades que talvez pertençam mais…
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O que significa envelhecer?
Envelhecer, na nossa cultura, costuma ser vivido de forma ambígua e muitas vezes dolorosa. Por um lado, o discurso oficial afirma que envelhecer é um privilégio, sinal de experiência, sabedoria e sobrevivência; por outro, as práticas sociais insistem em associar a velhice à perda, à inutilidade e à obsolescência. Em…
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A condição feminina
Para Simone de Beauvoir, a condição feminina, tal como foi historicamente construída, leva muitas mulheres a fazer escolhas que não partem de seus próprios desejos ou projetos, mas da definição que o homem e a sociedade patriarcal impõem sobre o que é ser mulher. Desde cedo, elas são educadas para…