Não acontece necessariamente de maneira repentina. Primeiro, deixamos de caminhar porque estamos cansados; depois, adiamos os exercícios porque temos muitas responsabilidades; em seguida, descobrimos que os dias passaram a ser organizados quase inteiramente entre cadeiras, camas, automóveis e telas. O movimento, que durante a infância parecia uma expressão espontânea da…
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A beleza de permanecer fiel àquilo que dá sentido à nossa vida
Como continuar acreditando naquilo que dá sentido à nossa existência, mesmo quando a vida parece oferecer inúmeras razões para desistir? Há uma beleza silenciosa nas pessoas que atravessam dificuldades sem abandonar inteiramente aquilo que reconhecem como essencial. Não porque sejam imunes ao sofrimento, ao medo ou ao desencanto, mas porque…
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Por delicadeza, ganhei minha vida
Há uma frase de Arthur Rimbaud que me acompanha de maneira particularmente profunda: “Par délicatesse, j’ai perdu ma vie” ou “Por delicadeza, perdi minha vida”. Há nessa afirmação uma beleza melancólica, como se a delicadeza pudesse representar uma forma de desencontro com o mundo, uma sensibilidade tão intensa que acabasse…
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Há amores que florescem na distância
Talvez uma das formas mais delicadas de amar alguém seja descobrir que um sentimento não precisa necessariamente transformar-se em uma relação para possuir significado. Estamos habituados a compreender o amor como uma experiência que procura aproximação, reciprocidade, convivência e permanência. Quando amamos, imaginamos encontros, conversas, gestos de carinho e a…
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A sabedoria de não responder a todas as provocações
Provavelmente, uma das formas mais difíceis de maturidade seja compreender que nem toda provocação merece uma resposta e que nem toda ofensa precisa transformar-se em confronto. Existe em nós um desejo profundamente humano de sermos compreendidos, respeitados e reconhecidos. Quando alguém nos dirige uma palavra injusta, distorce nossas intenções ou…
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A angústia de ser livre: uma reflexão sobre Kierkegaard
Talvez uma das descobertas mais inquietantes da existência humana seja perceber que a liberdade, tão frequentemente desejada, também pode ser uma fonte profunda de sofrimento. Queremos escolher nossos caminhos, construir uma vida própria, realizar nossos desejos e escapar das determinações que parecem limitar nossas possibilidades. Entretanto, quando nos encontramos diante…
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A ansiedade de viver um futuro que ainda não chegou
Talvez uma das experiências mais difíceis da existência humana seja nossa capacidade de sofrer por aquilo que ainda não aconteceu. Podemos estar sentados em um lugar tranquilo, cercados de silêncio, sem nenhum perigo imediato, e ainda assim sentir o coração acelerado diante de uma possibilidade distante. Imaginamos conversas que não…
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A sociedade que nos ensina a viver cansados
Talvez uma das características mais inquietantes da sociedade contemporânea seja a maneira como aprendemos a confundir liberdade com obrigação de produzir. Vivemos cercados de possibilidades, ferramentas, informações e promessas de realização pessoal, mas raramente experimentamos a sensação de que aquilo que fazemos é suficiente. Precisamos trabalhar, estudar, melhorar o corpo,…
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Aquilo que uma sociedade aprende a aceitar
Talvez uma sociedade revele muito sobre seus valores não apenas naquilo que condena, mas principalmente naquilo diante do qual consegue seguir vivendo normalmente. Uma criança com fome deveria interromper alguma coisa dentro de nós. Uma pessoa dormindo na rua deveria continuar sendo um acontecimento, e não apenas parte da paisagem…
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Amar alguém que não é nosso
Amar profundamente alguém é conviver com uma verdade ao mesmo tempo simples e desconfortável: por mais íntimos que nos tornemos, a pessoa amada continuará sendo outra pessoa. Podemos conhecer seus hábitos, reconhecer seus passos antes mesmo que entre no quarto, saber quando alguma coisa a preocupa pelo modo como permanece…
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O desejo precisa de alguma distância
Desejar alguém é reconhecer, ainda que silenciosamente, que existe uma distância que nenhum amor consegue abolir completamente. Podemos conhecer os gestos de uma pessoa, aprender seus silêncios, reconhecer a maneira como ela sorri quando está feliz e perceber quando alguma tristeza começa a se aproximar, mas haverá sempre uma região…
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Quando a beleza deixa de caber na juventude
Desde muito cedo, aprendemos que existe uma idade em que somos considerados belos e outra em que começamos, supostamente, a perder essa condição. A cultura ocidental contemporânea apresenta a juventude não apenas como uma etapa da vida, mas como um ideal estético associado à vitalidade, ao desejo, à produtividade e…
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O amor possível dentro da imperfeição
Não existe amor perfeito porque não existem pessoas perfeitas. Existe, antes, a possibilidade de um encontro entre duas pessoas que chegam uma à outra trazendo consigo tudo aquilo que viveram antes de se conhecer. Cada uma carrega uma infância, antigas alegrias, perdas, medos, desejos, relações anteriores, maneiras particulares de se…
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A solidão de quem ama sozinho
Reciprocidade não é uma balança. O amor não exige que duas pessoas ofereçam exatamente a mesma quantidade, no mesmo momento, da mesma maneira. Há dias em que um de nós tem mais força; há períodos em que um precisa ser amparado enquanto o outro sustenta quase tudo. A vida não…
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Amar sem desaparecer
Amar alguém não deveria significar desaparecer dentro da vida do outro. Existe uma ideia romântica, antiga e persistente, segundo a qual amar profundamente seria entregar-se por inteiro: compartilhar tudo, querer estar sempre junto, abandonar antigas prioridades, adaptar-se aos desejos do outro e, pouco a pouco, fazer da relação o centro…
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Amar o outro para além da fantasia
No começo de um relacionamento, nem sempre amamos apenas a pessoa que está diante de nós. Amamos também aquilo que imaginamos que ela seja. Há, no início, uma espécie de criação silenciosa: preenchemos lacunas com expectativas, atribuímos significados a gestos, projetamos desejos, reconhecemos no outro possibilidades que talvez pertençam mais…
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Como se deu a origem da filosofia?
A filosofia ocidental costuma ser situada na Grécia antiga, sobretudo entre os séculos VII e VI a.C., mas sua origem não pode ser entendida simplesmente como o momento em que alguém, de maneira repentina, “inventou” o pensamento racional. O nascimento da filosofia foi um processo histórico e cultural complexo, no…
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Como Baruch Spinoza compreende sentimentos como o amor e o ódio?
Há uma intuição profundamente humana que atravessa nossa experiência cotidiana: acreditamos amar pessoas extraordinárias e odiar pessoas detestáveis. Baruch Spinoza nos convida a inverter essa lógica. Em vez de procurar a causa do amor ou do ódio no outro, ele dirige nosso olhar para aquilo que acontece em nós quando…
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O que seriam os mitos?
Para Mircea Eliade, o mito é uma narrativa sagrada que relata acontecimentos ocorridos em um tempo primordial, quando o mundo, os seres humanos e as instituições foram criados. Mais do que uma simples história, o mito revela uma forma de compreender a realidade e oferece modelos de comportamento para uma…
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Quais formas de pensamento os seres humanos desenvolveram para compreender o mundo?
Ao longo da história, os seres humanos desenvolveram diferentes formas de compreender o mundo. Essas formas não surgiram de maneira linear, como se uma substituísse completamente a outra. Ao contrário, elas se sobrepõem e continuam coexistindo até hoje. Uma mesma pessoa pode recorrer ao senso comum para resolver questões cotidianas,…